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A indústria de pinus volta a sorrir (só não se sabe até quando)

Abril 18, 2018
Author: Marcelo Schmid

A Forest2Market do Brasil tem acompanhado atentamente a retomada do mercado de pinus no Brasil. Em sua última participação no Who Will Own the Forest 13, um dos maiores congressos mundiais de investimentos em terras florestais, realizado em setembro de 2017 em Portland (EUA), o diretor da empresa, Marcelo Schmid, abordou especialmente este assunto.

Em 2018 o mercado de produtos madeireiros fabricados a partir de pinus continua a dar sólidos sinais de recuperação. Após um longo período de recessão, os segmentos voltados ao mercado interno, como embalagens e painéis, têm se mostrado mais confiantes e otimistas.

Porém, embora alguma desconfiança ainda paire sobre a recuperação da economia interna, é o mercado externo que tem dado motivos para a indústria do pinus voltar a sorrir.

A figura 01 apresenta a evolução do volume exportado de madeira serrada e compensados de pinus nos últimos 10 anos. Em março de 2018 o volume exportado de compensados de pinus atingiu a marca recorde de 210 mil metros cúbicos no mês, volume este 22% superior ao mês de março de 2017 e 36% superior ao mês de março de 2016. O volume exportado de madeira serrada em março foi o mesmo, 210 mil metros cúbicos, atingindo também a marca de melhor mês de março nos últimos 10 anos.

 

Brazil_April_2Figura 01. Evolução das médias mensais do volume exportado (m3) de produtos a base de pinus nos últimos dez anos Fonte: SECEX e F2M do Brasil

 

Entre os países compradores destes dois produtos no primeiro trimestre de 2018, destaca-se a posição hegemônica dos EUA (figura 02). No entanto, o volume comprado do Brasil ainda é ínfimo perto do consumo do país norte-americano. Somente o setor de construção civil consome mensalmente 10 milhões de metros cúbicos de madeira serrada. O Brasil exporta menos de 1% deste valor mensalmente. Brazil_April_3Figura 02. Principais destinos das exportações de madeira serrada e compensado brasileiro no primeiro trimestre de 2018

Fonte: SECEX e F2M do Brasil

 

A equipe da Forest2Market do Brasil está otimista quanto ao momento atual e o futuro de curto prazo do mercado de pinus brasileiro. O mercado externo está em alta e o mercado interno em recuperação, porém, é impossível determinar até quando este cenário irá durar, pois:

  • Em relação ao mercado externo:
    1. O principal comprador dos produtos brasileiros são os EUA. Considerando a volatilidade do governo federal daquele país, não se sabe se uma nova política comercial não possa afetar negativamente o Brasil. A Forest2Market do Brasil sabe que as medidas protecionistas tomadas pelo governo Donald Trump não têm como alvo peixes pequenos como o Brasil, mas grandes players de mercado, como a China. No entanto, medidas protecionistas tomadas em relação à China podem ser tanto benéficas ao nosso país, como no caso recente da taxação do compensado de hardwood chinês, quanto prejudiciais, como no caso da taxação do aço, que poderia ter causado um grande prejuízo a parte do setor florestal brasileiro;
    2. Os EUA são também o principal destino da exportação de diversos países europeus que são grandes compradores do Brasil. Logo, o país norte-americano acaba exercendo uma influência muito significativa em todo o mercado global de produtos de madeira, sendo que qualquer mudança de postura em relação a outros players pode afetar diretamente o Brasil;
    3. O câmbio atingiu na última semana um patamar interessante para a exportação (3,4 reais/dólar americano). Até onde esse patamar será mantido ninguém é capaz de afirmar, embora muitos analistas econômicos afirmem que é provável a manutenção do mesmo até o fim do ano.
  • Em relação ao mercado interno
    1. O mercado interno dá sinais claros de recuperação. Da posição mais pessimista, daqueles que afirmam que apenas “paramos de cair” à posição mais otimista, de segmentos que voltaram a ampliar e contratar (siderurgia e painéis), é unânime a constatação que nossa economia está melhorando. Porém, se o mercado externo depende das decisões do presidente Donald Trump, o mercado interno depende da política brasileira. E a política brasileira vai de mal a bem pior;
    2. Cabe ressaltar que embora a recuperação econômica brasileira possa ser freada ou atrasada por diretrizes governamentais diferentes das atuais, o setor florestal e o agronegócio como um todo deram, durante os anos recentes de recessão, sinais de uma “quase” independência em relação ao cenário político e governamental.

A Forest2Market acredita que a indústria do pinus no Brasil está entrando em uma fase positiva do ciclo de mercado. Embora os fatores apresentados acima possam afetar negativamente tal fase, o passado recente nos mostra que tais períodos costumam durar pelo menos alguns anos.  Além disso, sendo a participação do Brasil no mercado norte-americano de madeiras ínfima e se mantendo o cenário de consumo crescente dos EUA, o Brasil tem um grande espaço a ser galgado neste mercado.

O momento positivo deve ser bem aproveitado com investimentos corretos para obter o máximo de retorno da situação dos mercados externo e interno, mas com a ressalva de que, por outro lado, investimentos de maior horizonte de retorno devem ser planejados contando com turbulências em médio prazo que podem afetar a análise de viabilidade de empreendimentos.

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